Bom dia, pequenas criaturas! Este é um novo espaço para a contemplação do Ganso. E hoje vamos falar de um de seus amiguinhos: o Stitch.
O Stitch foi auferido numa promoção do Cinemark, mediante a aquisição de uma Coca e um saco de pipocas gigante, o que me deixou muitíssimo feliz. O Stitch original é um personagem da Disney que andava junto com uma chatinha chamada Lilo, que foi devidamente ignorada por mim. Afinal, o Stitch era muito mais interessante. Ranhento e lambão, o bicho original é dado a todo tipo de malcriação e malvadeza, o que em si já o classifica como uma criatura gansal.
O que ninguém sabia era que, após ingressar em minha residência, o Stitch viria a assumir uma nova identidade muito própria. Pois lá habita minha avó, criatura em geral muito flompinha, mas um diabrete quando da minha ausência. É só eu começar a trabalhar demais, sair demais, viajar demais que ela fica rabugenta e faz todo tipo de malcriação.
Quando o Stitch chegou, ocorreu um fenômeno inesperado: uma fusão de identidades entre ele e minha avó, onde o bicho passou a refletir os sentimentos mais profundos da velhinha. Instalado no habitat da minha cabeceira, entre a árvore de cristais e o jardim japonês, o Stitch começou a fazer todo tipo de diabrura, cada uma transmitindo o estado de espírito de minha avó em relação à minha ausência.
Este é o Stitch em seu estado normal. Como podemos ver, ele manifesta um potencial latente de malcriação. Ele está sempre atento a tudo e a todos, sempre aguardando o que está por vir.
Aqui o Stitch manifesta grande preocupação. Adequado para quando eu demoro a chegar e não telefono, quando ninguém sabe onde estou ou no caso de intempéries naturais, como chuva ou ventania, que causam verdadeiro pânico à minha avó.
Esta é uma malcriação muito específica, que revela a grande infelicidade do Stitch (ou da minha avó). Mais do que preocupado, ele está realmente possuído de tristeza e mágoa. Geralmente se manifesta naquelas semanas quando saio às 7hs da matina e só volto de madrugada, todos os dias.
Aqui o Stitch começa a se emputecer de verdade. Ele já está considerando as saídas como desaforos, e sente-se agredido pessoalmente, mostrando grande malcriação e enraivecimento.
Este é um estado de espírito muito peculiar do Stitch, que denota intensa desconfiança. Ele acha que tem uma história mal contada ou que estou aprontando alguma, e oferece uma chance para que eu me explique e haja uma reconciliação. Como eu nunca explico nada, geralmente este mood stitchiano passa sozinho.
Finalmente a grande malcriação do Stitch, onde ele comete suicídio para revelar toda sua cólera, rancor e decepção. Quando chego de viagem, ele está sempre dependurado na cabeceira por uma cordinha.
Além disso, existem outras artes próprias do bicho, como se esconder, trocar sozinho de lugar, pular para a minha cama e muito mais. Quando o faço retornar à posição original e vou para a sala encontrar a minha avó, ela fica me olhando com um arzinho dos mais sorrateiros, instituíndo um clima de censura no ambiente, sempre de pura malvadeza. Afinal, palavras se tornam desnecessárias, uma vez que ela já mandou seu recado através do bichinho azul.